Fabricio Mazocco:"Michel Teló será cult depois de amanhã"
Última atualização em Seg, 09 de Janeiro de 2012 16:57
Os órgãos de imprensa elegeram Michel Teló como o assunto deste final de ano. O alarde é uma “música” (entre aspas, pois há quem dúvida que aquilo é música), apenas uma “música” que grudou nas rádios, TVs e ouvidos do Brasil e de vários países, inclusive os “em crise” da Europa. A partir daí o “cantor” virou mocinho, bandido, odiado, amado, enfim, uma dualidade sem fim. Estar no centro da discórdia não é prioridade de Teló (será que nenhum marqueteiro pensou em mudar esse nome feio pra burro!!!). Isso é coisa antiga, mas não vamos muito longe não.
Lá na década de 60 enquanto um banquinho e um violão colavam no ouvido de uma nova elite, uns cabeludos de uma tal de Jovem Guarda era relegados a um segundo plano (ou mais) de uma escala musical. Roberto e Erasmo, ambos Carlos, eram sucesso para as menininhas da época e odiados pelos formadores de opinião. Hoje, e não é de hoje, Roberto é Rei; Erasmo é elogiado ao gravar um disco sobre sexo.
Quase na mesma época um público vaiava os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Os cabelos que lutavam contra a gravidade e as roupas de cores berrantes eram motivo de ódio daquela elite. Ano depois Caetano é cultuado e Gil foi ministro da Cultura.
Um salto para os anos 80. Quem acompanhou aquela década sabe o quanto os meios arrebentavam uma turma que viria a compor o BRock, como diz Dapieve, o rock Brasil. Medíocre era elogio para as músicas de Hebert Viana, de Renato Russo, de Lulu Santos, de Lobão e tantos outros. Diziam que a música brasileira estava no poço (mal sabiam o que viriam nas décadas seguintes). Hoje esta geração de 80 é mais que cultuada e depois de 30 anos continuam na moda cult.
E não precisamos ficar só na música. Lembro que na década de 80 quem falava que assistia aos episódios do Chaves demorava para recuperar sua moral no meio social. As pessoas assistiam escondidas e nunca ou quase nunca assumiam assistir aos mesmos episódios transmitidos ainda. Hoje as camisetas trazem seu Madruga estampado como símbolo de uma “nova era”.
Chuck Norris? Este era o pior canastrão dos filmes americanos de guerra. É como se fosse o pior de uma lista encabeçada por Stallone, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis e tantos mais. Norris virou Cult e virou gíria, substituindo (e superando) o MacGiver (aquele que resolvia tudo com um clips).
Então, não se assuste se daqui a alguns anos seus filhos ou netos andar com uma camiseta do Michel Teló e ouvir “Ai se eu te pego” com um rosto cheio de saudade. Ou se a revista Cult de 2038 trazer o menino na capa e um pseudo-intelectual ver poesia e denúncia social (?) em “Fugidinha”. O horrível de hoje pode ser “menos pior” que o do que virá amanhã. E dá-lhe o fim do mundo!














